Pois é meus amigos trago finalmente boas noticias. É verdade, consegui a tão almejada cueca, o troféu pelo qual lutamos diariamente, o Santo Graal para o comum dos homens, o objectivo das nossas insignificantes vidas.
Venho assim contar a tão desejada história para que toda a gente tenha conhecimento de que o objectivo foi alcançado.
Tudo começou quando depois do jantar, os dois bravos guerreiros que não desistem da sua gloriosa missão, resolveram ter mais uma noite de Bairro Alto. A seguir ao jantar resolveram ir tomar café até um espaço designado como Amo-te Chiado. E foi precisamente aí que tudo começou.
Estavam os dois garanhões sentados e descansados a beber um café quando de repente por trás (e não tenham pensamentos maléficos) surge uma voz doce e tranquila que pergunta: podemo-nos sentar com vocês?
Eis que espantados os dois bravos guerreiros olham na direcção da voz e deparam-se com uma visão de outro mundo.
É verdade meus amigos, aconteceu comigo, dava para ficar de boca aberta com aquelas esculturas que ainda por cima tinham uma voz angelical e que mais incrível que possa parecer queriam sentar-se junto dos nossos heróis. É claro que as pobres das esculturas não sabiam no que se estavam a meter!
Bem, mas continuando com a história, conversa puxa conversa, fala-se disto e daquilo, toca-se aqui e ali, quando dei por mim estava a caminho da casa de uma delas num valente VW Beatle (fora a publicidade) que ainda por cima era conversível.
No meio disto tudo chegamos a uma casa lá para os lados de Belém que por sinal era um casarão e eu dou comigo a pensar que raio fazia eu, um pobre desgraçado que não te quase onde cair morto, num sitio daqueles e acima de tudo com uma deusa daquelas do meu lado.
Passada toda esta fase de reflexão, algo bastante estranho na minha pessoa, uma vez que sou mais instintivo do que racional como todos os homens, chegamos à sala de estar onde ela me oferece uma bebida e claro que não me fiz de rogado e aceitei e volto a pensar que teria acontecido ao outro bravo guerreiro e companheiro, coisa da qual rapidamente me desliguei, pois a deusa acabava de se sentar ao meu lado e de por a mão em cima da minha perna.
Relativamente ao outro bravo guerreiro, pelo que soube no dia seguinte, o desgraçado teve que ir de autocarro para casa porque a outra deusa afinal não tinha carro e ainda por cima vivia para o outro lado da cidade e não quis levá-lo (como se eu acredita-se nessa treta toda).
Sendo assim o segundo herói desta história não teve sorte nenhuma e continua na sua busca desesperada pelo tão desejado troféu! Coitadito. Que pena que tenho dele.
Voltando agora à parte em que ela estava a pôr a mão em cima da perna, lá estava eu com uma bebida numa das mãos e a pensar o que poderia eu fazer com a outra. Lá continuámos nós na conversa que puxa conversa e quando finalmente a bebida chega ao fim fico finalmente com as duas mãos livres para poder tocar e mexer em tudo o que era sitio apalpavel. Ou seja, por todo o corpo da deusa.
Beijinho para aqui, chupão para ali apalpão para acolá e dá-se o momento chave, aquele em que iria poder tocar no objecto que mais tarde teria de levar para casa: a tão desejada cueca feminina.
Bem presumo que agora não queiram pormenores sobre tudo o que se passou a partir do momento em que tirei a cueca da deusa e consegui meter a mesma no bolso do casaco sem que ela tenha dado conta. Só vos posso dizer que foi uma noite e pêras.
Na manhã seguinte lá acordei com uma coisa pegajosa a lamber-me o pé e ainda a dormir pensei que era ela a querer mais uma sessão do que tínhamos feito à noite, mas quando abro os olhos para ver que estava ela a fazer deparo-me com um daqueles cães enormes aos quais se dá o nome de São Bernardo a lamber o meu tão querido pé enquanto a deusa estava na casa de banho a tomar um banhinho. Ao fim de alguma insistência, lá consegui ver-me livre do cão que metia muito respeito, e ir até à casa de banho para me despachar em desaparecer dali para fora com a tão almejada cueca no bolso do casaco, quando de dentro da banheira ela me pergunta se por acaso não teria ideia de onde tinha posto as cuecas dela. Meus amigos, nessa altura e por alguns breves segundos fiquei sem saber o que dizer. Mas lá consegui despachar a situação dizendo que tinha atirado para longe e não tinha visto onde tinham caído. Ma sabendo perfeitamente onde estava o objecto pelo qual ela tinha perguntado.
O que é certo é que consegui mesmo trazer o tão almejado troféu e esfregá-lo nas trombas do outro guerreiro derrotado que estava em casa acompanhado pelo “o traidor”, nas trombas do qual também esfreguei bem esfregadas as cuecas da vitória.
E aqui está a minha primeira aventura narrada muito brevemente porque o espaço não é muito, em como consegui finalmente a minha primeira cueca, o tal objecto tão desejado por todo o homem, o Santo Graal da raça masculina, lembrando apenas que esta história foi escrita no dia 1 de Abril para os mais atentos ao calendário que sabem perfeitamente o que essa data significa em todo o mundo.
Um bem-haja a todos os cuequeiros e até breve com mais aventuras e desventuras do duo maravilha que, lembro e relembro, jamais irá desistir de cumprir com a tarefa prometida!
F.C.